terça-feira, 20 de junho de 2017

Sou Igualzinho a Você

"Quanto tempo em?? Em épocas de final de semestre no curso de graduação que faço, épocas de provas de minha filha que está na 3° série, de dificuldades da casula que está na 1° serie em concentrar-se em sala de aula ... foi mau, não dá tempo e nem inspiração para escrever aqui no blog". Marilene Quadros, 20/06/2017. 

Na ultima postagem publiquei a música Sou Igualzinho a Você, de Elias Wagner, agora irei comentar minhas percepções sobre ela.

Eu no Parque aquático Arco-Ires, Fpolis/SC. Março 2017.
Link: Etnomusicologia - Letras de músicas com tema "cadeira de rodas". (2/4)

A música fala em sua letra que todos somos iguais, usando uma cadeira de rodas para locomoção ou não, que vivemos em uma rotina, e que de repente alguém em um encontro casual chama a nossa atenção, rola uma atração, porém o fato da pessoa ser cadeirante pode gerar um estranhamento inicial, principalmente das pessoas caminhantes que não são familiarizadas com alguém deficiente físico.

Não ser familiarizado ao meu ver não significa ter preconceito, e sim ter curiosidades de como é o cotidiano de alguém que "anda" de forma diferente, e como muitos se sentem constrangidos, invadidos ao responder tais perguntas, curiosidades (como você vai no banheiro? você é mãe?...), entramos em uma espiral que se retro alimenta, de um lado o caminhante não familiarizado que cheio de questionamentos e com medo de ser invasivo opta em não ter contato com o cadeirante, e do outro o cadeirante que se isola das outras pessoas por não querer se expor, expor sua vida privada, com perguntas constrangedoras, do tipo: Você faz sexo?  


Retomando a letra da música, dai uma pergunta casual pode ser o gatilho para desmistificar esse fato, mesmo sendo que no primeiro momento o caminhante Meio sem jeito no olhar, olhe de forma constrangida, tímida, porém como não somos nos deficientes pessoas assexuadas, por que não termos a iniciativa do flete quando notamos que é, pode ser um bom momento, o ato de sermos rejeitados em um flerte não simboliza exclusivamente a causa ser a cadeira de rodas, então saber lidar com frustrações é sermos inteligentes. E teimosia em querer conquistar o coração de outra pessoa nem sempre significa amor. 

Na musica o cadeirante deu um toque na mão da outra pessoa e falou de seus sentimentos, e diz: Se essa conversa incomoda / Uma cadeira de rodas / É apenas o seu jeito de andar. Frisa que ele não é um perdedor, uma vitima, uma pessoa com menas qualidades ou inferior a outra pessoa.


E fala que nem tão pouco está fora de forma, se a pessoa já nasceu com a deficiência física ela sempre foi assim, então dentro dos padrões corporios dela ela está em forma, e se a deficiência veio apos certa idade, e ela já se acostumou com seu "novo corpo", também não vai se considera fora de forma.


O que é estar em forma? É ter o corpo padronizado e impossível de se alcançar que a mídia nos impõe? 

O  interlocutor fala que Se Deus é por nós, Quem será contra nós, mostrando um intendimento que usar cadeira de rodas não é punição de Deus, concluindo que o preconceito social foi quem te fez me ver de forma diferente, talvez menos capaz, porem eu sou igualzinho a você.

sábado, 27 de maio de 2017

Etnomusicologia - Letras de músicas com tema "cadeira de rodas". (2/4)

"Essa é a segunda postagem de quatro músicas que abordam o tema cadeira de rodas, sendo três na própria letra da música, e uma como plano de fundo do clip". Marilene Quadros, 27/05/2017.

Essa serie de postagens Etnomusicologia... faz parte de alguns tópicos apresentados por mim na conclusão da matéria optativa com o mesmo nome que cursei em 2016/1, no curso de antropologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).   

Essa é uma forma de contemplar o som, a música da natureza. Maio 2017.
Levando em consideração as datas do qual foram lançadas a primeira vez, se percebe uma mudança do perfil social brasileiro com relação as pessoas com limitações motoras como eu.

A musica da postagem anterior foi lançada na década de 70, com o titulo: Cadeira de Rodas, cantado por Fernando Mendes, na letra discorre um desabafo de um homem que se sentia atraído por uma mulher cadeirante, e que era correspondido pelos olhares dela. Mulher essa com olhos e sorriso bonito. Por que ele omitiu na musica o formato do corpo dela?? Seria por que para ele isso não importava?? Afinal essa beleza corporal padronizada pelas mídias (TV, revista, ...) ele sabia que era o ideal mais não algo real?  

Essa mulher da letra da musica estava sempre restrita a sua casa (seria por falta de acessibilidade) fora da casa?? Por que dependendo da religião, região, cultura, ela e sua família eram julgados como pecadores, hereges, impuros para estarem vivendo em comunidade? E esse homem ao amar alguém com deficiência motora taria indo contra toda uma cultura vigente, em especial que o homem não pode "cuidar" de uma mulher, além da possibilidade dela não poder gerar filhos, e se gerasse, não conseguiria cuidar deles e da casa.


A letra da musica segue com esse homem se arrependendo por não ter declarado seu amor a ela, com a seguinte frase: "E agora por onde ela anda eu não sei". Ao colocar a palavra ANDA, simboliza para mim, que não importava para esse homem se sua amada andava com suas próprias pernas, e ou ajudada pelas rodas de uma cadeira de rodas. A musica se finaliza com o cantor falando que ainda SOFRE por não ter se declarado a ela.


Link: Etnomusicologia - Letras de músicas com tema "cadeira de rodas". (1/4)

A segunda musica selecionada por mim, foi: Sou Igualzinho a Você, de Elias Wagner. 



Essa música "Sou Igualzinho a Você", sô se tornou famosa em 2016 apos ser regravada por Amado Batista, quando a incluiu em seu DVD de comemoração de 40 anos, do qual chamou o compositor e primeiro cantor dela para participação. Elias Wagner que é usuário de cadeira de rodas (cadeirante), já tinha lançado essa musica em seu CD em 2002.


Sou Igualzinho A Você

Todo dia a mesma coisa
Tudo era sempre igual
De repente ali na rua
Num encontro casual
Você perguntou as horas
Meio sem jeito no olhar
Dei um toque em sua mão
Começamos conversar
Falei dos meus sentimentos
Que estavam presos por dentro
Eu queria só um minuto lhe falar
Se essa conversa incomoda
Uma cadeira de rodas
É apenas o seu jeito de andar
Mas isso não me faz um grande perdedor
nem tão pouco estou fora de forma
Eu sou um cidadão como outro qualquer
Te respeito como manda as normas
Se Deus é por nós
Quem será contra nós
E você vai ter que entender
O preconceito fez
Você me ver como talvez
Mas eu sou igualzinho a você.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Etnomusicologia - Letras de músicas com tema "cadeira de rodas". (1/4)

Na terceira fase, 2016/1 de antropologia uma das matérias que estudei foi a optativa chamada etnomusicologia, que a grosso modo aborda como a musica influencia os contextos culturais, sociais das pessoas.
"No final do semestre 2016/1 tínhamos que apresentar um trabalho final, do qual aproveitei a oportunidade e novamente pesquisei sobre como um usuário de cadeira de rodas (cadeirante), interage com a música em seus diferentes prismas, na dança, letra das musicas, como musico..." Marilene Quadros, 22/05/2017. 
E um dos subtítulos que utilizei foi: Letras de musica; onde consegui mapiar as diferentes fases de como a sociedade brasileira nos via e como o assunto foi se desmistificando, a ponto de agora o assunto ser tratado apenas como pano de fundo de clips musicais,... ou será que nós tornamos invisíveis??

Segue clip e letra da primeira música selecionada por mim, ao todo selecionei quatro, das quais irei publicar futuramente as outras três. 

   
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Mendes

1. Fernando Mendes- Cadeira de Rodas  "sentada na porta em sua cadeira de rodas ficava...olhar triste". Música da década de 70.

Sentada na porta em sua cadeira de rodas ficava
Seus olhos tão lindos, sem ter alegria,
Tão triste chorava
Mas quando passava a sua tristeza chegava ao fim
Sua boca pequena ao mesmo instante sorria pra mim

Aquela menina era felicidade
Que eu tanto esperei mais não tive coragem
E não lhe falei do meu grande amor
E agora por onde ela anda eu não sei

Hoje eu vivo sofrendo e sem alegria
Não tive coragem bastante pra me decidir
Aquela menina em sua cadeira de rodas
Tudo eu daria pra ver novamente sorrir

sábado, 20 de maio de 2017

Corpo (a) normal

"Será que estou realmente realizando os propósitos reais de uma encarnação, que é evoluir moralmente e intelectualmente, sem ostentação? Ou será que meu foco é apenas esconder as imperfeições de meu corpo, como estrias, rugas, cabelo branco...". Marilene Quadros, 19/05/2017.

Meu corpo é meu veiculo, sem ele não tenho como me movimentar, sem meu corpo não posso conhecer presencialmente as coisas, pessoas, lugares..., fico presa no mundo virtual da internet e ou dos pensamentos, porém hoje eu penso e meu corpo não mais responde a os comandos que envio a ele, então o que faz meu corpo se mover são as rodas da cadeira de rodas e a ajuda de uma rede de apoio (quase que exclusivamente o marido) que faz a transferência de meu corpo da cadeira de rodas para: o carro / a cama / cadeira de banho...

Mas como aceitar um corpo que não é belo como os padronizados pela mídia, um corpo que para vesti-lo vou em lojas e não encontro roupas que servem nele, e quando servem ficam com o tecido todo enrugado, desconfortável, pois foi feito com moldes para serem usados em um corpo na postura em pé, e não sentado (dobrada ao meio) como é meu caso que fico quase todo meu tempo sentada.

Ler: Modelo cadeirante, quem eu??
        Moda inclusiva, e o lanche antes do desfile
        Minha maquiagem para o desfile

Meu corpo é único, e nele está registrado minha historia, como assim? Minhas estrias na barriga são mais expressivas no lado esquerdo abaixo do umbigo, pois enquanto eu gestava a Amabile, ela se mexia muito, ela cresceu, o espaço ficou pequeno, sobrando aquele espacinho para ela chutar, e como ela chutava... NOSSA! ter orgulho das estrias da gestação, que coisa esquisita, o normal é esconde-las, até fazer um procedimento medico / estético para apaga-las.

E as rugas de expressão, cadê a maquiagem para esconde-las? Gente, eu tenho 34 anos, não sou mais uma criança, nada mais normal é meu rosto está mostrando as primeiras marcas do tempo, e o tempo passa... devo me envergonhar que já estou encarnada a um certo tempo?? Ao meu ver, devo é me envergonhar é pela utilização que estou fazendo de meu tempo, será que estou realmente realizando os propósitos reais de uma encarnação, que é evoluir moralmente e intelectualmente, sem ostentação?

A distrofia muscular também pega os músculos do rosto, então na foto, que é estática não se percebe muito, mais em vídeo se percebe bem nítido a assimetria no movimento das bochechas, dos lábios, sobrancelha caída, que dá aspecto de choro ao meu rosto.

Para quem quer sair bonita em uma foto, segue um vídeo explicando:



Mais as coisas vão piorar, vou envelhecer ainda mais (ha, ha, você também) e a distrofia muscular ira evoluir pois ela ainda não tem cura, o que me resta é fazer as passes com o espelho, e amar o reflexo meu que ele me mostra.

Aprender a gostar, a achar bonito, transmutar aquela sensação ruim ao olhar o espelho, uma foto, uma filmagem... Aprender a valorizar está individualidade, estas particularidades, estas semelhanças em meu corpo que me fazem lembrar papai, mamãe, vovô... e não encarar a cadeira de rodas como um intruso no reflexo do espelho, e sim como a extensão de meu corpo que me possibilita "caminhar", incorpora-la como uma roupa confortável em usar... esse é meu exercício diário.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Dia das mães (d) eficientes.

"Hoje é dia das mães, mais é um dia igual aos outros, ou pelo menos penso que deveria ser, eu não me sinto a vontade com essas datas comemorativas forjadas pelo comércio sô para ganhar dinheiro, até por que o melhor presente que uma mãe pode receber é o amor e o respeito de seu filho, que para mim independe se ele é biológico ou não". Marilene Quadros, 14/05/2017.

Mais como ser receptiva a esse amor filial sem antes ser agradecia a sua própria mãe, que te gestou e te criou e ou abriu mão de realizar tal atividade e transferiu para outra pessoa e ou instituição que segundo sua mãe julgava poder te dar melhores condições de vida?

Fotos tiradas no Parque Córrego Grande, Fpolis/SC.  Eu e minhas filhas, Amabile e Laura, em maio 2017.

Então primeiro aqui agradeço a minha mãe Maria, (que não é a mãe do menino Jesus) porém já mora lá no céu desde dezembro de 2013, pois quem a conheceu sabe das qualidades morais que ela trazia consigo, que por sua fez aprendeu com minha avó Benta (conhecida como Benta faceira), adjetivo dado a mulheres de sua época, anos 30, moradora do município de Paulo Lopes/SC, que significa mulher simpática e alegre.


A vó Benta desencarnou quando eu tinha uns oito anos, enquanto minha avó paterna Felisbertina (Betina, como gostava de ser chamada), desencarnou eu era pré-adolescente, mulher de biotipo pequeno, olhos azuis, delicada até no falar... Eu curvo minha cabeça em reverencia a essas três mulheres, mães, sem elas eu não estaria aqui. Foram elas quem primeiro passarão pelo caminho e aplainarão o terreno para eu passar, como tão sabiamente Bert Hellinger idealizador da Terapia das Constelações Familiares assim nos ensina.

Agora agradeço meu marido Eduardo, pois sem ele eu não teria engravidado do Giosepp (do qual tive um aborto espontâneo), e em seguida da Amabile que atualmente tem oito anos, e agora mais recente da Laura, filha adotiva que ficamos esperando na fila de adoção por quatro anos e ainda não temos a guarda permanente. A Laura tem seis anos agora.

Links:

Eu não consigo descolar o papel de mãe do papel de cuidadora, e ser mãe com deficiência requer de mim muito jogo de cintura para saber delegar funções sem ser ausente. Eu sou aquela mãe que acompanha na execução das atividades de casa, coordeno da porta do banheiro se elas estão tomando banho direito, coordeno a arrumação do quarto delas, levo para passear, faço questão de acompanhar todas as consultas médicas... quando necessário coloco de castigo, sou rígida com o horário de dormir, de comer, com o tempo de vídeo-game...     

sábado, 13 de maio de 2017

A burocracia da lâmpada e as lágrimas

"Não basta ter boa vontade, precisa ter ação, ação que é tolida pela burocracia, tem coisas que não dá de esperar por três semanas, e ou por quinze dias didáticos." Marilene Quadros, 11/05/2017. 

Para quem não sabe, eu tenho uma doença chamada distrofia muscular miotônica tipo II, que até o momento a ciência não achou a cura, e por tudo que já li sobre essa doença, percebo que nem mesmo os neurologistas, geneticistas... não sabem realmente a causa, porém tudo indica que em alguns casos está relacionado a má duplicação dos genes responsáveis pelas células musculares.

A doença é degenerativa,  aos poucos nos músculos (no meu caso) vão parando de funcionar de forma assimétrica, então atualmente estou com 34 anos e 8 meses, meu braço esquerdo não levanta a uns seis anos, o braço direito tem pouca resistência física mais consigo levanta-lo até uns quatro dedos de uma linha imaginaria abaixo do ombro.

Atualmente uso cadeira de rodas motorizada fora de casa, e dentro de casa me arrasto em uma cadeira de banho (até poder reformar a casa e "fabricar" espaço para ela transitar)... basicamente meu único compromisso semanal é ir estudar, sou graduanda em antropologia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), porém como usar o banheiro com tantas limitações motoras??

A universidade tem um setor chamado CAE (Coordenadoria de Acessibilidade Educacional), que dá suporte para solucionar e ou adaptar os ambientes as características físicas e ou mentais do estudante, para lhe oportunizar as mesmas conduções de estudo que um aluno sem deficiência tem.

Não vou me adentrar neste texto do que seria uma pessoa com deficiência ou não, o que é fato é que a burocracia do serviço publico gera má qualidade no atendimento a esses alunos e até mesmo aqueles funcionários que gostariam de realizar um bom trabalho se veem em volto a um emaranhado de planilhas e relatórios que os impede de agir... e o que eu tenho haver com isso???

Bom, eu sou diretamente afetada em meu desempenho educacional por causa disso, me cinto tão vulnerável hoje (11/05/17) que nem consegui ir a aula, quando penso, logo choro... a manhã será outro dia.

Apos três semanas sem luz no banheiro, eu fiz um desabafo na sala de aula, e apos um chilique com o pessoal responsável pela troca da lâmpada, ... tive que me humilhar de tal forma, que nem sei se estou envergonhada pela minha atitude ou se meu sentimento é sô de revolta, o importante é que eles se comoverão com minhas lagrimas e tiraram uma lampada do corredor e colocaram no banheiro. (em outra postagem escrevo em detalhes o que ocorreu).

O banheiro mais adaptado, porém não adequado plenamente as minhas condições motoras atuais, não tem janela, e agora no outono as 17:30 horas já é escuro, como usar um banheiro sem nenhuma claridade??

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Parque Ecológico do Córrego Grande


"O parquinho do Parque Ecológico do Córrego Grande é adaptado a pais usuários de cadeira de rodas, mais não a bebês e crianças com limitações motoras mais severas". Marilene Quadros, 10/05/2017. 

O Parque Ecológico do Córrego Grande possui uma área de 21,3 hectares, e está localizado na região centro-oeste de Florianópolis/SC, sendo integralmente em área urbana, bem próximo a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) onde estudo antropologia.
Na foto mostro que os brinquedos não são adaptados a crianças com necessidades especiais.
Eu sou a moça com cadeira de rodas, e o moço de vermelho é meu marido.

O parque apresenta relevo em grande parte plano, em minha opinião, sendo um ótimo local para um passeio de cadeira de rodas, claro que têm alguns detalhes ainda não acessíveis dos quais irei abordar aqui nesta publicação.
Para quem gosta de ficar contemplando a natureza, no interior do parque tem uma lagoa com jacarés, cagados,... sô para olhar, não sendo permitido pescar, nadar... como é o caso da Lagoa do Peri/SC. 

Link: Lagoa do Peri com acessibilidade para cadeira de rodas.
          Praia da Armação do Pântano do Sul.

Bom, para ver mais de perto esses animais, fizeram um deque de madeira que de cadeira de rodas não tive coragem de descer sua inclinação, mais isso não foi problema, pois há vários outros pontos da lagoa do qual o acesso da cadeira de rodas é pleno.

Há uma vasta trilha / rua de terra super plana, com arvores que se entrelaçam no alto, e sobre elas ficam uma infinidade de pássaros e saguis soltos... No dia em que eu fui com minha família os saguis estavam em maior numero primeiramente em um local que a cadeira de rodas não tinha acesso, pois o relevo fazia um morrinho com solo revestido de vegetação rasteira e folhas caídas, em local bem arborizado, então eu fiquei sô de longe olhando. Depois eles chegaram perto da trilha / rua, mais eu não consegui tirar foto.

É o único parquinho que conheço que consigo ficar próximo a minhas filhas brincando, porém não há nenhum brinquedo adaptado para bebês, crianças... que use cadeira de rodas. Banheiro, eu procurei mais não encontrei. E o estacionamento reservado para deficientes fica em uma ladeira, com solo cheio de pedrinhas escorregadias, por medo de um tombo, nós estacionamos em uma vaga "normal" por ser mais acessível e segura. A entrada é gratuita. 

Foto das duas vagas de estacionamento reservado a deficientes, idosos...

domingo, 7 de maio de 2017

Evangelho no Lar

"Essa foi nossa leitura em mais um Evangelho no Lar, em nosso Lar" Marilene Quadros, 07/05/2017

Na tentativa de me curar das alucinações visuais, auditivas, olfativas... Minha mãe me levava em centros espiritas kardecistas deste minha primeira infância, sem saber, sem compreender que o que eu tinha e tenho é uma mediunidade um pouco mais aflorada que a maioria das pessoas encarnadas.

Eu me "curava" e retomava a religião católica da qual toda a minha família na ocasião era frequentante, o tempo passou, ganhei autonomia e substitui as praticas religiosas da igreja católica pelas do centro espirita Kardecista.

Da qual uma das praticas, um dos ritos, deve ser realizada dentro de casa e chama-se Evangelho no Lar, que consiste em escolher um dia da semana com hora marcada, escolhemos (eu e o marido)  o domingo as 10:00 horas, para ler em o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, e apos a leitura refletirmos sobre o conteúdo lido.

A leitura deste domingo 07/05/2017 foi a seguinte:
Capítulo V - Bem-aventurados os aflitos
Causas anteriores das aflições

6. Mas se há males nesta vida cuja causa primária é o homem, outros há também aos quais, pelo menos na aparência, ele é completamente estranho e que parecem atingi-lo como por fatalidade. Tal, por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da família. Tais, ainda, os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir; os reveses da fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo etc. Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar, que são impotentes para mudar por si mesmos e que os põe à mercê da comiseração pública. Por que, pois, seres tão desgraçados, enquanto, ao lado deles, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos de todos os modos?

Que dizer, enfim, dessas crianças que morrem em tenra idade e da vida só conheceram sofrimentos? Problemas são esses que ainda nenhuma filosofia pôde resolver, anomalias que nenhuma religião pôde justificar e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus, se se verificasse a hipótese de ser criada a alma ao mesmo tempo que o corpo e de estar a sua sorte irrevogavelmente determinada após a permanência de alguns instantes na Terra. Que fizeram essas almas, que acabam de sair das mãos do Criador, para que se vissem, neste mundo, a braços com tantas misérias e para merecerem no futuro uma recompensa ou uma punição qualquer, visto que não hão podido praticar nem o bem, nem o mal? Todavia, por virtude do axioma segundo o qual todo efeito tem uma causa, tais misérias são efeitos que hão de ter uma causa e, desde que se admita um Deus justo, essa causa também há de ser justa. Ora, ao efeito precedendo sempre a causa, se esta não se encontra na vida atual, há de ser anterior a essa vida, isto é, há de estar numa existência precedente. Por outro lado, não podendo Deus punir alguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez, se somos punidos, é que fizemos o mal; se esse mal não o fizemos na presente vida, tê-lo-emos feito noutra. É uma alternativa a que ninguém pode fugir e em que a lógica decide de que parte se acha a Justiça de Deus.

O homem, pois, nem sempre é punido, ou punido completamente, na sua existência atual; mas não escapa nunca às consequências de suas faltas. A prosperidade do mau é apenas momentânea; se ele não expiar hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre está expiando o seu passado. O infortúnio que, à primeira vista, parece imerecido tem sua razão de ser, e aquele que se encontra em sofrimento pode sempre dizer: “Perdoa-me, Senhor, porque pequei.”


Segue link com O Evangelho Segundo o Espiritismo, em PDF O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Acessibilidade na revista / gibi.

"Quando a ficção de uma revista / gibi, representa minha realidade, é possível que também represente a realidade de muitos como eu". Marilene Quadros, 05/05/2017.

Estou montando mais uma apresentação de trabalho de aula com a temática "cadeira de rodas", como já escrevi na postagem: Filmes sobre deficiência motora. A matéria é mídia e subjetividade, do curso de psicologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), onde sou graduanda de antropologia.

Então vou re-apresentar essa revista / gibi do qual também já o utilizei na apresentação da matéria psicologia transcultural em 2016/2. Nela é abordado vários tipos de deficiência, porém aqui irei me focar sô no cadeirante e ou usuário de cadeira de rodas e ou no Luca (nome do personagem com deficiência motora).

Para quem quiser ver toda a revista / gibi, segue o link: Inclusão nos quadrinhos 

 
Nesta primeira parte o escritor faz uma brincadeira com as palavras acessibilidade e acessível, e eu Marilene lhes digo, que a lugares com ótima acessibilidade do qual eu não gosto de frequentar pois as pessoas que trabalham, frequentam o local não são nada acessíveis (simpáticas)... são pessoas mal humoradas, pessimistas, desagradáveis na conversa.   

Em antropologia se utiliza o "jargão" olhar de estranhamento para se pesquisar algum conteúdo, estranhamento que as crianças da revista / gibi também expressaram ao se depararem que o personagem Luca já sabia o que era acessibilidade, e fizeram a ele a pergunta que todo cadeirante escuta varias vezes no decorrer de sua vida: Como foi?? Como você fez?? O que você sentiu??

  Luca achou que a nova escola já estaria acessível para ele que usa cadeira de rodas para se locomover, porém não estava... E eu Marilene achei que a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) estaria acessível para mim em 2015/1, porém também me enganei ... E me enganei ainda mais ao achar que o local iria se adequar as minhas necessidades motoras, por fim acabei apenas fazendo uma coletânea de e-mails sem respostas e sem resoluções nenhuma.

Minha sorte é que meu marido, os alunos, e a CAE (Coordenadoria de Acessibilidade Estudantil) me ajudam nas questões mais simples do cotidiano, como arrumar a mesa adaptada para eu usar, colar fita ante derrapante no banheiro...

Na historia Luca é pego no colo com a cadeira de rodas e transportado, colocado em cima da calçada que não tem rampa de acesso, e depois no acesso a escola onde a uma escadaria. Quando se é criança é realmente assim que as coisas acontecem, porém quando se é adulta e obesa como eu, as estrategias de locomoção são bem mais complicadas.

Eu peso uns 80 quilos, tenho 1,64 de altura, e a cadeira de rodas motorizada sem eu em cima pesa 45 quilos... duvido encontrar uma "Mônica" que consiga me carregar sentada na cadeira de rodas escada acima... Em um dos meus trabalhos de aula eu tive que ser carregada por três pessoas, e a cadeira era a manual, bem mais leve.


Não façam o que eu faço pois pode gerar infecção urinaria, seguindo a linha de raciocínio da revista / gibi, eu não tomo água fora de casa para evitar vontade de ir ao banheiro, pois o banheiro não é plenamente acessível onde estudo. As cantinas perto do CFH (Centro de Filosofia e Ciência Humana)  também não são acessíveis, os balconistas e eu faço contorcionismo para comprar alguma coisa. 

Sim, e por vezes acabo passando com a roda em cima de pés de pessoas de não observam e nem escutam eu pedindo licença pois quero passar.  Diretoria, eu nem sei onde fica a reitoria... Telefone, não é todo lugar que pega celular onde estudo.       

Na ultima folha da revista / gibi desta historia do Luca, usam a frase "Põe resistência nisso!", eu interpreto essa palavra resistência não sô pelo prisma da resistência física, mais também psicológica para saber solucionar as dificuldades de acessibilidade que vão surgindo. Resistência para não desistir de estudar. Resistência para que os ambientes escolares, universitários se adequem as pessoas como eu que se locomovem de forma diferente do habitual. Resistência para ter perseverança na tentativa de um mundo mais fácil de se viver, sem tantos degraus... 

Na historia Luca ele tem pai e mãe bem atuantes, e quando a pessoa é adulta e não tem quem vaia atras dos direitos por ela, como ela faz?? Quem cuida do adulto deficiente?? Quem paga a salario do cuidador??

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Filmes sobre deficiência motora

"Por que nestes filmes nunca o personagem usuário de cadeira de rodas é brasileiro, mulher, pobre, com filhos... e as questões de falta de acessibilidade ambiental nunca existe... Será que pessoas como eu não existem?? Segundo dados do IBGE de 2010 somos 7% da população brasileira com alguma deficiência motora, destes 62,5% somos mulheres". Marilene Quadros, 28/04/2017.

Estou coletando títulos de filmes para uma apresentação da matéria mídia e subjetividade da qual estou estudando agora no semestre 2017/1. Eu sou graduanda da 5° fase de antropologia na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), porém amo as matérias da área de psicologia, então sempre que posso acabo fazendo alguma material nesta área de ensino.

1. Filme: A Teoria de Tudo (2015)
Baseado na história de Stephen Hawking, o filme expõe como o astrofísico fez descobertas relevantes para o mundo da ciência, inclusive relacionadas ao tempo. Também retrata seu romance com Jane Wilde, uma estudante de Cambridge que viria a se tornar sua esposa. Aos 21 anos de idade, Hawking descobriu que sofria de uma doença motora degenerativa, mas isso não o impediu de se tornar um dos maiores cientistas da atualidade. DireçãoJames Marsh

2. Filme:  Intocáveis (2011)
Um milionário tetraplégico contrata um homem da periferia para ser o seu acompanhante, apesar de sua aparente falta de preparo. No entanto, a relação que antes era profissional cresce e vira uma amizade que mudará a vida dos dois. DireçãoOlivier NakacheÉric Toledano

3. Filme:  Como Eu Era Antes de Você (2016)
A jovem e peculiar Louisa "Lou" Clark transita de emprego a emprego para ajudar a sustentar sua família. Entretanto, sua atitude alegre é testada quando se torna cuidadora de Will Traynor. DireçãoThea Sharrock

domingo, 23 de abril de 2017

Praia da Armação do Pântano do Sul.

 Para que adaptar os espaços públicos se não há pessoas com mobilidade reduzida, e aquelas que necessitam usar uma cadeira de rodas não gostam de sair de casa, será?? Marilene Quadros, 23/04/2017.

Nesta postagem irei escrever sobre um dos pontos turísticos mais bonitos que conheço em Florianópolis/SC, a praia da Armação do Pântano do Sul. Conheço pelas lembranças estáticas de quando eu tinha a mobilidade física "normal", isso antes de 2008. E agora estou a conhecendo pela ótica de quem usa cadeira de rodas para locomoção.

Eu e minha família na praia da Armação do Pântano do Sul, Fpolis/SC. Abril 2017.  
A cadeira de rodas aos poucos está se tornando uma segunda pele sobre meu corpo, não a como sair de casa sem roupas, pelo menos não na cultura da qual eu sou pertencente, então não a como também eu sair de casa para passear sem a cadeira de rodas, porém o que não falta são "proibições" camufladas por falta de acessibilidade nos ambientes públicos, assim não são os cadeirantes que não gostam de passear e sim a falta de acessos aos lugares que nos impõe uma vida limitada ao perímetro de nossas casas.

Casa adaptada?? No meu caso nem a casa é adaptada a ponto de eu conseguir "andar" nela com autonomia e liberdade, mais esse é outro assunto... afinal o mais importante eu já tenho, que é a cadeira de rodas, que muitos nem isso tem.

Na praia da Armação do Pântano do Sul sô há uma vaga de estacionamento público reservado para deficientes, sem espaço livre na parte do porta malas para tirar e colocar a cadeira de rodas, se o cadeirante for o motorista, como o estacionamento fica encostado ao passeio que é "um degrau", ele ira necessitar de ajuda para a transferência carro/ cadeira de rodas, se ele for o passageiro a transferência é sobre a rua onde passa carros, caminhão, motos...

Optamos então por um estacionamento particular para estacionar o carro, claro, não há nem desconto para deficientes, idosos..., também não há banheiro adaptado, chão filme e plano... Enquanto o marido montava a cadeira de rodas os surfistas que se vestiam, (colocavam a roupa de borracha pois a água estava gelada), com olhares surpresos observavam a sena, até que não se aguentaram e iniciaram timidamente os comentários habituais: O que ocorreu para ela usar a cadeira? Como a cadeira é difícil de ser montada, né? Ha! Ela é sua esposa?? Onde fica o acesso da praia para a cadeira de rodas, nunca vi?? Tem acesso para a cadeira??  As crianças são suas filhas??

De forma simplificada vou dividir a praia da Armação do Pântano do Sul em três fragmentos: Ponta das Campanhas, Praia do Matadeiro, e Praia da Armação... Sendo a Praia da Armação o único lugar com "acesso a cadeira de rodas" por causa do passeio publico que construirão em 2014, o único detalhe é que não fizeram o rebaixo na causada para chegar até ao passeio, porém nada pode ser perfeito, não é???    

Para quem tem uma doença degenerativa como a minha e ama contemplar a natureza como eu, grave esse conselho em seus corações enquanto tiver suas mobilidades físicas conservadas pois com a cadeira de rodas não dá de aproveitar em plenitude (na verdade, não dá de chegar nestes lugares):

A Ponta das Campanhas, local cheio de mines lagoas artificiais, penhascos de pedras com vista para o mar sem comparação de beleza... é deste local que se paga um barco para conhecer a Ilha do Campeche, com suas águas cristalinas, trilhas com inscrições rupestres...

Praia do Matadeiro (segundo minhas lembranças de 2008): primeiro a pessoas passa por dentro de um rio com pouca água, ou sobre uma ponte onde para acessa-la é através de degraus. Depois sobe uma trilha ingrime para transpor o morro, a trilha parte é concreto, parte são tronco, degraus, chão batido... Essa é a praia onde os surfistas frequentam.

terça-feira, 18 de abril de 2017

TSING, Anna. “Margens indomáveis: cogumelos como espécies companheiras.”

"O impeachment da Dilma Rousseff, foi um golpe?? E sobre o texto, para mim a uma grande diferença entre as palavras: lar e residência, e para você?? Por que é visto como opressor o ato da mulher querer cuidar de seus filhos em casa no lugar de ir trabalhar fora e colocar as crianças em uma creche?? E mais opressor ainda o marido querer que ela viaje com ele em uma viagem de trabalho??". Marilene Quadros, 18/04/2017.


Está é a ultima postagem de uma coletânea de dez questões das quais redigi e entreguei com no minimo dois dias antes da aula da matéria Leitura Etnográfica III, realizei elas de forma individual no semestre 2016/2. Essa coletânea fazia parte de uma das formas de avaliação, pautadas em textos e ou livros previamente selecionados pelo professor.


Esta questão (10/10) era sobre o texto da autora TSING, Anna. 2015. “Margens indomáveis: cogumelos como espécies companheiras.” Ilha 17(1): 177-201. Porém não ouve aula explanatória sobre o texto e ou questões, pois o local, o prédio onde estudo (que é apenas um dos inúmeros prédios da UFSC) estava "ocupado pelos alunos" em decorrência da não aceitação deles sobre os fatores que geraram o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, para o grupo que fez a ocupação o impeachment foi um golpe.


No final do texto segue os outros
títulos desta coletânea e ou serie.

Conforme discutido em sala de aula, um bom texto etnográfico deve ser composto por uma retórica oculta, onde o não dito explicitamente também faz parte das informações contidas nele, então tomei a liberdade de fazer uma bricolagem de fragmentos deste texto, e a partir dela compus varias questões que por não está explicita poderá ser apenas uma falsa impressão de minha parte.

O texto fala sobre cogumelos e a sensação de os coletar, fala de fungos, vírus e como eles interagem com outras espécies para viver, e junto a autora vai argumenta como as mulheres foram oprimidas pela sociedade patriarcal desde os tempos mais remotos.

 “O lar isola o amor intraespécies do amor interespécies” (p.178). Lar para mim é diferente de residência, para mim lar simboliza local onde pessoas estão unidas por laços de amor, geralmente chamado de família sendo ela sanguínea ou não, então como o lar pode isolar alguma forma de amor? Se sua constituição já é o próprio amor incondicional, pleno, sincero?

Sobre as palavras intraespécies / interespécies, não sei o significado, porem a palavra espécie significa indivíduos com características comuns e capazes de se reproduzirem entre si, originando descendentes férteis. Então o prefixo “intra” e “inter” suponho significar o relacionamento entre espécies diferentes e de forma simultânea, exemplo, nos humanos convivemos com espécies de animais como o gato, cachorro, gado... e condicionamos varias espécies de plantas a novas vontades, chamando essa pratica de agricultura. Seria essa a interpretação correta das palavras intraespécies e interespécies?

Sendo a agricultura uma imposição do estado “A história que contamos a nós mesmos sobre a “conveniência” e “eficiência” de plantar em casa simplesmente não é verdadeira... Os estados institucionalizam o confisco de uma porcentagem da colheita”... “Foi no interior dessa configuração política que tanto as mulheres quanto os grãos foram confinados e manejados para maximizar a fertilidade (p.186).

Em outra época realmente ouve uma imposição para termos muitos filhos, porém na atualidade sô tem filho quem quer, pelo menos no sul do Brasil, pois há uma gama gigantesca de tipos de anticonceptivos, e há toda uma geração de mulheres como eu que optou em ser mãe, e eu amo ser mãe, não vejo minha decisão como uma imposição social, porém vejo uma exacerbação, um exagero da sexualidade feminina.

“Essa obsessão pela reprodução, por sua vez, limitou a mobilidade das mulheres e suas oportunidades para além do cuidado com as crianças.” (p.187), por que cuidar de criança, filhos é sempre vista com esse olhar deturpado como algo depreciativo? Filhos é uma benção dentro de um lar.

“As mulheres brancas foram chamadas a seguir de seus maridos aos Trópicos para manter as coisas limpas” (p.191), se fosse sô para manter o local higienizado os maridos tinham contratado empregados, por que é tão difícil acreditar de um homem ame sua mulher e por isso queira que ela esteja junto a ele, até mesmo em uma viajem de trabalho? Por que a esposa não pode manter o local limpo simplesmente por que gosta e se sente bem em um local limpo, por que “trabalhos domésticos” são sempre menosprezados como sendo algo desagradável e opressor?



POSTAGENS DESTA SÉRIE:

Questão (9/10): DAS, Veena. “O ato de testemunhar: violência, gênero e subjetividade”

sábado, 15 de abril de 2017

Glândula Timo, chacra cardíaco e o Sagrado Coração de Jesus.

"Fui criada em família católica, porém toda vez que a mediunidade se desequilibrava eu era "curada" no centro espirita e lá aprendi sobre chacras. O tempo passa e o conhecimento se delata, agora agrego os conhecimentos científicos sobre a glândula Timo, e recordo a fé que os católicos têm no Sagrado Coração de Jesus." Marilene Quadros, 14/04/2017.


Esta postagem é um revisão de uma publicação minha deste blog
 que publiquei em julho de 2015, da qual na ocasião intitulei com o mesmo nome. 

O A glândula Timo (thýmos) está situada ao nível do coração, atrás do esterno (osso achatado, situado na parte anterior da caixa torácica e que está ligado às costelas).

O detalhe curioso é que o timo fica encostadinho no coração, que acaba ganhando todos os créditos em relação aos sentimentos, emoções, forma de expressão do individuo e de como a gente interpreta as relações sociais a nossa volta... Sabe a expressão "Fiquei de coração apertadinho”, por exemplo, revela uma situação real do timo, que só por reflexo envolve o coração.


No feto ela é grande, estende-se da região do pescoço até o diafragma (região de abdômen); durante a infância ela começa diminuir e após a puberdade ela diminui mais ainda. Possui a forma piramidal, mesmo ao atrofiar-se, e sua falta afeta a Glândula Pineal, também conhecida como epífise neural que é uma pequena glândula endócrina localizada perto do centro do cérebro, entre os dois hemisférios. 

A glândula Timo também é sensível a todo estimulo dos quais consideramos desagradáveis e ou agradáveis como imagens, cheiros, sabores, gestos, toques, sons... então concluímos que pessoas que sabem gerenciar estímulos desagradáveis conseguem melhor qualidade de vida, e por que não, o bem estar que chamamos de saúde. 

Assim da mesma que nosso organismo, nosso corpo aciona automaticamente anticorpos para nós defender de um ataque por bactérias, fungos, toxinas..., o Timo também emite o alarme para o organismo fabricar anti corpos, em outra palavras, para a produção de células de defesa na mesma hora que entramos em contato com pensamentos negativos, ideias desagradáveis, informações que nós gere sentimentos de medo, de angustia... 

Porém como o ataque esta direcionado a algo não material, esses anticorpos acabam não achando o alvo, e de tanto serem acionados por uma "chamada falsa", eles acabam se enfraquecendo, abrindo brechas reais no sistema imunológico.

Por sua vez o chacra cardíaco se localiza na mesma posição da glândula timo e é responsável pelo nosso equilíbrio emocional, onde seu desequilíbrio provoca alterações orgânicas nos pulmões e no coração. 

Esse "desequilíbrio" tem correlação direta com a forma que a pessoa lida com as informações que chegam até ela, com as relações que ela tem em seu meio social, se ela se sente ofendida, excluída, injustiçada, com raiva, rancor, ódio... 

Pessoas das quais não se sentem ofendidas, vitimas de uma situação, são agradecidas pelas coisas que lhes acontecem, e conseguem ver o lado positivo até mesmo quando as coisas fluem de forma contraria a que elas esperavam que ocorresse, pessoas que sabem lidar com frustrações, e que aprenderão a amar as pessoas como realmente elas são e não como elas gostariam que os outros fossem, essas pessoas estão com o chacra cardíaco equilibrado. 

Concluo essa postagem escrevendo sobre o Sagrado Coração de Jesus, mais especificamente sobre a imagem de Jesus com a mão sobre o coração que irradia raios de luz, por que será que a igreja católica tanto difundiu essa imagem, e cultos relacionados a ela?

Seria por que ela personifica o amor que Jesus tem pela gente e que deveríamos tê-lo como exemplo de conduta moral a seguir? 

Caso você leitor medite sobre como manter a glândula timo funcionando adequadamente, como manter o chacra cardíaco equilibrado, e sobre a simbolismo da imagem do Sagrado Coração de Jesus, chegará a mesma conclusão, que ambos estão nos mostrando que para termos pleno bem estar devemos aprender a AMAR de forma incondicional,  sem expectativas. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cinquenta mil visualizações

"Cinquenta mil visualizações e muitas historias compartilhadas com vocês meus leitores." Marilene Quadros, 10/04/2017.



Minhas visualizações no blog diminuíram bastante levando em comparação ao segundo semestre de 2016, por outro lado tenho recebido muitas propostas para pagar para que divulguem meu blog, ato que não farei, escrevo não em busca de popularidade e sim como forma de desabafo e por que não, na tentativa de ajudar através de minhas experiencias de vida pessoas que estejam passando por situações semelhantes as minhas.

Levei mais de dois meses para sair da marca de 40 mil visualizações para 50 mil, porém tenho recebido comentários de meus seguidores onde me perguntam o por que não estão mais recebendo notificações automáticas de quando eu publico algo novo aqui no blog... minha resposta é não sei, porem pode ser uma forma que a plataforma do blog encontrou para eu diminuir minhas visualizações e com isso me induzir a compra, financiar, pagar a propaganda. 

Sobre as ultimas postagens que tenho feito, elas se subdividiram em a) lembranças de uma encarnação onde eu era enfermeira: guerra, Governo,  família... b) sobre amizades de longas datas e novas amizades, c) trabalhos de aula "questões"  de antropologia do semestre 2016/2, d) atualização de postagens publicadas aqui a mais de uma ano, como:Carnaval, Conflitos, Processo de investigação, ...

sábado, 8 de abril de 2017

DAS, Veena. “O ato de testemunhar: violência, gênero e subjetividade”

"Da mesma forma que o que não foi dito torna-se também parte esta historia, o não observado também poderá ser julgado da mesma forma? Como lidar com o fato que o sentido da palavra verdade se altera com o tempo, pois o tempo vai delatando, ampliando os fatos e mostrando nuances antes não percebidos? Seria as historias um conjunto de meias verdades? E a verdade e o conhecimento prévio do leitor sobre o tema lido, qual peso tem sobre a veracidade e ou legitimidade de uma historia? ... E sobre os assuntos que vocês leem em meu blog?" Marilene Quadros, 07/04/2017.
Eu em 2005, na época com 22 anos já sentia uma leve fraqueza mais não podia imaginar a causa. 

Está postagem faz parte da serie "questões da matéria Leitura Etnográfica III", que realizei de forma individual no semestre 2016/2, onde fazia parte de uma das formas de avaliação, pautadas em textos e ou livros previamente selecionados pelo professor, do qual para está questão (9/10) era o da autora DAS, Veena. 2011. “O ato de testemunhar: violência, gênero e subjetividade.” Cadernos Pagu 37: 9-41.

No final do texto segue os outros títulos desta serie.

O texto inicia com a frase “á teoria do sujeito argumentam que a experiência de tornar-se sujeito está ligada á experiência da sujeição de maneira importante” (p.11), lembrando que o sentido semântico da palavra sujeição é: estado do que está sujeito; dependência, submissão, característica do que não se rebela, do que aceita passivamente a dominação; obediência; resignação.

O texto realiza uma cartografia utilizando como personagem principal Asha, que “não se dedicou a me contar a estória do que aconteceu durante a Partição, mas foi contanto aqui e ali, quando surgia a ocasião, certos fragmentos do seu mundo, torna esse esquecimento uma parte importante do que foi dito” (p.20).

Não ficando claro para mim enquanto leitora o que significava a palavra Partição; necessitei realizar uma pesquisa na internet, encontrando os seguintes dado que preencheram as lacunas de duvidas e não compreensão do texto de minha parte:

Partição foi a divisão violenta entre o novo Estado indiano e o Paquistão, com inicio em 1947, que gerou uma migrações em massa que desencadearam massacres que deixaram entre 500.000 e um milhão de refugiados mortos, assassinados nas estradas ou nos vagões dos "trens da morte". Os autores eram, de um lado, muçulmanos, e de outro hindus e sikhs, armados de machados, facões e tacos.

Desta forma, frases como “sua família conjugal começou a se dispersar para diferentes lugares” ou respostas vagas dadas ao escritor como: “Ela morreu nessa época” (p.19), começaram a fazer sentido para mim como leitora.

O autor fragmenta as palavras / frases, dentro do contexto de Asha, e desta forma amplia o sentido, o significado dos relatos de vida de sua personagem.
Da mesma forma que o que não foi dito pela personagem torna-se também parte esta etnografia, e o não dito e ou não observado pelo escritor também poderá ser julgado da mesma forma? Como lidar com o fato que o sentido da palavra verdade se altera com o tempo, pois o tempo vai delatando, ampliando os fatos e mostrando nuances antes não percebidos? Seria assim toda etnografia um conjunto de meias verdades? E a verdade e o conhecimento do leitor sobre o tema lido, qual peso tem sobre a veracidade e ou legitimidade de uma etnografia?

BIBLIOGRAFIA:

DAS, Veena. 1999. “Fronteiras, violência e trabalho do tempo: alguns temas wittgensteinianos. RBCS 14(40): 31-42.



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